Assembleia Legislativa do Acre celebra Dia Mundial da Conscientização do Autismo

Assembleia Legislativa do Acre celebra Dia Mundial da Conscientização do Autismo

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou nesta quarta-feira (31),  na plataforma digital da casa, uma sessão solene em alusão ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado anualmente no dia 2 de abril. A solenidade foi proposta pelo 1º secretário do parlamento acreano, deputado Luiz Gonzaga (PSDB), através de requerimento aprovado em plenário.

A iniciativa objetiva ajudar a conscientizar a população sobre o autismo, um transtorno no desenvolvimento do cérebro, que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

 O presidente em exercício da Aleac, deputado Luiz Gonzaga, deu início a solenidade destacando que, no Brasil, a data envolve a realização de palestras e eventos públicos que têm o intuito de conscientizar e informar as pessoas sobre o que é o autismo e como lidar com o transtorno.

“Nos reunimos hoje para celebrar este dia tão importante que tem como pretensão alertar a sociedade e os governantes sobre essa doença. Nós precisamos derrubar os preconceitos que existem a respeito deste tema, por isso os esclarecimentos sobre este assunto são tão importantes”, frisou o parlamentar.

O médico cruzeirense Aldemar Cândido Maciel, conhecido como Mazinho Maciel, foi um dos convidados para participar da solenidade. Em 2017, sua filha, então com dois anos, foi diagnosticada com autismo. Percebendo que no município de Cruzeiro do Sul não havia nenhum tipo de tratamento para crianças autistas, ele decidiu, por conta própria, estudar sobre o assunto.

Mazinho conheceu a Associação de Pais e Amigos de Autistas em Cruzeiro do Sul e percebeu que não era o único a ficar angustiado com a falta de tratamento adequado para um filho. Por meio de uma parceria com a prefeitura de Cruzeiro do Sul, montou uma Organização Não Governamental (ONG) e fundou o Centro de Tratamento de Integração Sensorial, o Centrin, em agosto de 2018.

“Passados um ano e meio desde sua inauguração, o trabalho realizado pelo centro se tornou uma referência mundial. Participei e participo de conferências mundiais a respeito do tema, já estive na Flórida, Estados Unidos, com a presença dos maiores especialistas sobre autismo no planeta”, disse.

Para ele, apesar dos avanços, a luta no Acre continua. “Queremos que o Acre também se torne referência no atendimento a pessoas com autismo, essa é a nossa luta. Muitas famílias sofrem absurdamente e nós sabemos que é possível ofertar um serviço público de qualidade a elas. O Centrin é prova disso”, enfatizou.

Abrahão Púpio, que preside a Associação da Família Azul, falou durante a sessão sobre as dificuldades enfrentadas pelos pais de crianças autistas, para dar continuidade às terapias necessárias aos seus filhos. Ele pede que a Promotoria Especializada na Pessoa com Deficiência seja mais atuante para assim assegurar o devido atendimento aos pacientes. Solicita ainda, mediadores de ensino para ajudar na educação das crianças autistas.

“Gostaria de estar presente aqui, hoje, para falar somente sobre avanços e conquistas, mas infelizmente tenho que relatar problemas históricos. A gente precisa que a Promotoria Especializada na Pessoa com Deficiência seja mais atuante. Já fiz relatos de dezenas de pacientes que aguardam consulta em neuropediatria, a espera leva de seis meses a dois anos e a pandemia agravou essa situação. Atualmente as famílias não conseguem renovar receita no Pronto Socorro, as crianças estão há mais de um ano sem intervenção, pois o Hospital está voltado somente para atendimento da Covid-19”, relatou.

A gerente da Divisão da Rede de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, Domisy Vieira, pontuou que a discussão acerca do atendimento a pessoas com autismo se faz importante, pois apesar dos esforços do governo, ainda há muito a ser avançado. Ela frisou que existem fragilidades para a implementação das políticas públicas e disse que com a união e articulação dos setores, muitos problemas podem ser superados.

“Iremos criar a linha de cuidado do autismo para estruturamos os pontos de atenção e atender as demandas. Também temos a proposta de ampliação do CER III, porém, enfrentamos algumas dificuldades, precisamos que os municípios desenvolvam ações próprias, pois o Estado tem ficado com toda a demanda. Nos colocamos à disposição, entendendo que somente com ações articuladas poderemos de fato atender à necessidade desse público que merece todo o nosso cuidado”, pontuou.

O vice-governador Major Rocha (PSDB), que está internado para tratamento da Covid-19, também participou da sessão e falou que desde 2011, quando era deputado estadual, tem defendido causas em prol do autismo. Ele pontuou que grande parte das famílias de autistas são de baixa renda, portanto, enfrentam dificuldades para tratar seus entes e necessitam da ajuda do poder público.

“Graças a Deus, a conscientização sobre o autismo tem avançado. Antes, eram várias as dificuldades encontradas para se receber diagnósticos de neuropediatras no Acre. Boa parte das famílias que tem autistas são hipossuficientes e necessitam da ajuda do governo para o tratamento de seus familiares. Peço que cada vez mais os poderes constituídos se unam em prol dessa causa, para que assim possamos oferecer mais qualidade de vida a essas pessoas que tanto precisam de nós”, disse emocionado. 

Já o deputado Daniel Zen (PT) destacou a importância de se debater o assunto. “Nós devemos debater melhor esse assunto, não só no período de comemoração ao Dia Mundial do Autismo, mas todos os dias. Ainda existem muitos paradigmas a serem quebrados. Tivemos sim, um avanço por parte do poder público, mas muito ainda precisa ser feito. Precisamos que os profissionais que atuam na Educação e na Saúde e que dão suporte a essas pessoas estejam mais bem preparados. Por isso o debate é tão importante”, frisou.

O parlamentar falou ainda do projeto de lei de sua autoria que cria a Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (autismo). O projeto é fruto de um trabalho em conjunto com a Associação Família Azul do Acre (AFAC) e com colaboração de gestores da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e Casa Civil.

Daniel Zen também é autor do projeto de lei que institui a Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta determina que o Estado regulamente e exerça políticas públicas eficientes para o diagnóstico, tratamento especializado e proteção dos direitos dos autistas de forma a garantir melhor qualidade de vida aos autistas e suas famílias.

Texto: Mircléia Magalhães e Andressa Oliveira

Agência Aleac

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