Aleac promove lançamento de Frente Parlamentar da Família e debate sobre possíveis reações da vacina Anti-HPV

Aleac promove lançamento de Frente Parlamentar da Família e debate sobre possíveis reações da vacina Anti-HPV

Aleac promove lançamento de Frente Parlamentar da Família e debate sobre possíveis reações da vacina Anti-HPV

Na manhã desta segunda-feira (25) aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) a cerimônia de lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, com ênfase nos casos das meninas que tiveram reações severas após receberam a vacina Anti-HPV. A iniciativa partiu do deputado Cadmiel Bomfim (PSDB), em parceria com a senadora Mailza Gomes (PP). A solenidade contou também com a presença da secretária Nacional da Família, Ângela Gandra e autoridades do Estado.

A Frente Parlamentar irá acompanhar e fiscalizar programas e políticas públicas governamentais destinadas à proteção dos direitos à vida, da família, da criança e do adolescente. Também promoverá debates acerca da valorização e do papel da educação na estrutura familiar. Logo após o lançamento da Frente, foi dado início a audiência pública que se pautou nos casos das adolescentes que passaram a ter problemas de saúde após serem vacinadas contra o HPV.

O deputado Cadmiel Bomfim, que presidiu a sessão, falou sobre a importância do debate na busca por uma solução para as meninas que convivem com crises convulsionais depois de terem tomado a vacina contra o HPV. “Como agentes políticos, nosso papel é buscar uma resposta, uma solução para essas jovens. Os pais delas estão exaustos de tanto buscarem a cura dessas meninas. É algo muito triste e acaba mexendo com todos nós que também somos pais. ”

A senadora Mailza Gomes pontuou que o objetivo da Frente Parlamentar, além de fortalecer políticas para as famílias, é também contribuir com a investigação das reações ocorridas em algumas meninas após tomarem a vacina contra o HPV.

“Essa Frente Parlamentar vai contribuir muito na busca por uma resolução dessa problemática das meninas. Essa é uma luta que ultrapassa o território acreano, pois há casos em todo o Brasil e mundo. Também acompanhar as famílias delas, oferecendo todo o suporte necessário. Não estamos aqui contra vacinas, sabemos os efeitos positivos que elas trazem. O que tratamos especificamente aqui são as possíveis sequelas dessa vacina contra o HPV”, ressaltou.

A primeira dama do Estado, Ana Paula Cameli, que participou do ato representando o governador Gladson Cameli (PP), se colocou à disposição para contribuir em busca de uma solução para o caso das meninas. “Esse é um tema polêmico, não sou especialista, mas me coloco à disposição das famílias, não como primeira dama, mas como mãe que sou. Espero que saiamos daqui com soluções concretas para ajudar essas meninas, o governo tem se disponibilizado para contribuir com isso. ”

Os pais das meninas que sofrem reações, possivelmente, decorrentes da vacina contra o HPV, usaram a tribuna da Aleac para falar sobre as dificuldades enfrentadas. Alguns relataram que há quase cinco anos padecem em busca de um diagnóstico e uma solução para as convulsões de suas filhas. Eles pedem que os governos estadual e federal tomem providências urgentes acerca do caso. Eles alegam que após o diagnóstico dado pelos médicos da USP, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Acre (SAMU) não estaria mais atendendo às chamadas das famílias.

Maísa Santos, de 15 anos, que apresentou reações severas logo após tomar a vacina contra o HPV, fez um depoimento emocionado relatando as dificuldades enfrentadas decorrentes das crises convulsionais que ela sofre. Ela lamentou o diagnóstico dado por médicos especialistas da Universidade de São Paulo (USP), de que as meninas estariam com histeria coletiva e pediu que as autoridades competentes busquem diagnósticos que de fato levem em consideração a realidade em que ela e outras jovens vivem atualmente.

“Eu poderia estar na escola agora, não vim aqui para mentir ou falar contra uma vacina que tenha funcionado para algumas pessoas. Não aceito um diagnóstico de histeria. Sou superdotada, com comprovação oferecida pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação. Cresci saudável, jogava na Federação Acreana, mas sempre priorizei meus estudos e este ano eu estaria na Inglaterra, por um programa da UWC. Precisei interromper o ensino médio, perder a chance de concluir meus estudos fora do país. Eu tinha tudo e hoje não tenho nada, cheguei a tomar 14 pílulas por dia, tudo isso por conta dessa maldita vacina anti-HPV, que muitos defendem tanto”, disse emocionada.

A deputada federal Mara Rocha (PSDB) lembrou de quando sua filha chegou em casa com um pedido de autorização para tomar a vacina e, ao pesquisar sobre o assunto, ela descobriu que existiam casos espalhados em vários países, de meninas que tiveram reações severas após imunizadas. Ela defende a suspensão imediata da vacina contra o HPV.

“Fui pesquisar sobre essa vacina e nesse momento eu vi relatos de jovens com sequelas, cegos, com ataques epiléticos, alguns morreram, outros em estado vegetativo, isso não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, Espanha, Peru e outros países. Nesse momento eu neguei o pedido para que minha filha tomasse essa vacina. Esse é um assunto grave, sério e precisa de total atenção. Precisamos suspender essa vacinação. Quantas mães ainda vão ter que chorar? Nós vamos lutar por isso, levando essa discussão à Câmara Federal. Sou favorável a todas as vacinas, mas essa já deixou claro que há problemas por trás. São mais de 90 mil notificações de casos como esses que vemos aqui”, relatou.

A secretária nacional, Ângela Granda, agradeceu a presença dos secretários do Estado e também o empenho das autoridades locais em busca de uma resolução para o caso das meninas que apresentaram reações após tomarem a vacina. Falou também sobre a proteção da família e ações que têm sido levantadas para evitar a sexualização precoce das crianças.

“Quando o Estado promove políticas pública em favor dessa proteção, o ser humano é cuidado em primeiro lugar. É importante que os pais estejam fortalecidos para que fortaleçam seus filhos. Sobre o debate acerca da vacina e suas possíveis reações, é necessário que as pesquisas a respeito prossigam para que elas voltem a ter uma vida normal”, pontuou.

A vereadora Lene Petecão (PSD), que participou da sessão representando a Câmara Municipal de Rio Branco, lamentou que especialistas tenham dado o laudo de histeria coletiva. “Sinceramente, vim aqui levantar minha voz em defesa das mães das meninas vítimas dessa vacina contra o HPV. Os governos estadual e federal precisam assumir um compromisso com esses pais, que são de famílias humildes. A minha palavra de ordem é que o Estado não aceite esse diagnóstico de histeria coletiva, porque isso não é certo. Não faço campanha contra vacina nenhuma, mas essas meninas não podem ser vítimas dessas sequelas e o estado não disponibilizar recursos para que elas sejam tratadas. ”

O juiz de direito, presidente da Associação dos Magistrados do Acre e também representante da Coordenadoria de Mulheres em Situação de Violência Familiar, Daniel Bomfim, parabenizou a iniciativa e se solidarizou com as famílias das jovens que apresentaram reações após a vacina. “Esse é um debate muito importante pela situação vivida por essas famílias. Faço uma menção especial a essas mães. É dever do Estado cuidar da saúde dessas jovens. Como pai, sinto a dor dessas famílias, pois quando você leva seu filho para tomar uma vacina é tentando protegê-lo, e saber que ele adoeceu após isso é muito triste. ”

O secretário Municipal de Saúde, Oteniel Almeida, que participou do ato representando a prefeita Socorro Neri (PSB), falou sobre o apoio que a prefeitura tem oferecido às famílias. “É importante o envolvimento de todos nessa luta que essas mães vêm travando há algum tempo. Muitas vezes nos sentimos impotentes, porque os municípios não têm muito o que fazer, uma vez que os efeitos adversos da vacina são de responsabilidade do Ministério da Saúde. O que eu disse para as mães é que nós iremos dar todo o apoio, como estamos fazendo com transporte, alimentos e fatores de cunho social. Nós estamos fazendo esse acompanhamento e assim continuaremos. ”

A médica Maria Emília Gadelha, presidente da Associação Brasileira de Ozonioterapia, fez uma breve apresentação sobre os resultados de estudos realizados por ela, que apontam a vacina como principal causadora dos sintomas das meninas. Salientou também que para ela é difícil desafiar um laudo apresentado por especialistas da USP, mas que seu compromisso, acima de tudo, é com a realidade.

“Falo aqui com muita responsabilidade e sem nenhuma outra intenção a não ser a busca pela resolução desse drama. Preparei uma apresentação que busca fazer um apanhado geral que vai desde o núcleo de atendimento, diagnóstico e tratamento da vacina contra o HPV, até mesmo causas envolvendo mortes devido a ela. Para mim, como médica, é difícil estar aqui desafiando o laudo da USP, mas meu compromisso é com a verdade”, afirmou.

A especialista detalhou cada um dos sintomas apresentados pelas jovens e como a vacina ocasionou isso. Ela citou casos semelhantes em várias partes do mundo e negou veementemente que se trate de uma histeria coletiva, como foi relatado pelos pesquisadores da USP que estudaram sobre o caso.

“Existem as reações imediatas e aquelas a longo prazo. De cara derrubamos a afirmativa de uma histeria coletiva com base na região em que as meninas vivem, pois há casos até mesmo no Japão. Acompanhei de perto uma menina que ficou por cinco dias com paralização facial e como médica atesto que é humanamente impossível alguém conseguir uma reação dessas sem que de fato não haja complicações no corpo. Por essas e tantas outras questões, defendo a suspensão imediata dessa vacina”, solicitou.

Os estudos realizados pela médica apontam que após o início da comercialização das vacinas anti-HPV em 2006, houve 95.703 notificações de eventos adversos decorrentes da vacinação, sendo que 41.440 envolveram o sistema nervoso. Tais manifestações neurológicas incluem uma longa lista, desde dor de cabeça e tontura a convulsões epilépticas típicas, abalos musculares tipo mioclonias, síndrome de Guillain-Barré e as chamadas crises não epiléticas psicogênicas (CNEPs), dentre várias outras.

Noventa casos de meninas e meninos com eventos adversos no Estado do Acre foram registrados, acompanhados na Policlínica Tucumã. Muitos outros casos também vêm sendo observados desde 2014 em outros estados brasileiros: na cidade de Bertioga, em São Paulo, e nas cidades de Viana e Cariacica, no Espírito Santo.

O que disseram os deputados:

Roberto Duarte (MDB)

“Nós debatemos muito essa temática na Câmara Municipal de Rio Branco, lutamos à exaustão pelo Estatuto da Vida e da Família. Naquele momento fazíamos tudo por convicção e minha família foi muito exposta por eu defender isso. Mas eu nunca baixei a guarda e continuo nessa luta. ”

Meire Serafim (MDB)

“Parabenizo o colega deputado Cadmiel Bomfim e a senadora Mailza Gomes por essa iniciativa. O HPV é uma doença de desenvolvimento silencioso e mata milhares de mulheres todos os anos. Essa luta é nossa, portanto, contem conosco! Também esperamos que uma resposta seja dada a esses pais o mais rápido possível. ”

José Bestene (PP)

“É muito importante esse debate quando podemos ouvir tanto as mães quanto as pessoas que estão nessa mesma luta em prol dessas meninas. O governo teve a sensibilidade de determinar que a Sesacre montasse uma equipe multidisciplinar na Policlínica do Tucumã, então acredito que qualquer problema relacionado ao atendimento das jovens será solucionado o quanto antes.

Texto: Andressa Oliveira
Revisão: Suzame Freitas
Foto: Raimundo Afonso
Agência Aleac

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