Índios da etnia Huni Kuin são recebidos na Aleac

Índios da etnia Huni Kuin são recebidos na Aleac


O presidente em exercício da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Jenilson Leite (PCdoB), suspendeu a sessão desta quarta-feira (21) para receber índios da etnia Huni Kuin. Os indígenas estiveram no Poder Legislativo para pedir aos parlamentares que estes intervenham junto ao governador Gladson Cameli (PP), solicitando a garantia da continuidade de políticas públicas voltadas para as aldeias. 

Os indígenas pedem, entre outras coisas, que seja garantido a eles o direito à educação, saúde, produção, cultura e turismo. Zezinho Kaxinawá, um dos líderes do movimento, disse que o Banco Mundial havia garantido 18 milhões em verbas para serem utilizadas em benefício dos povos indígenas, no entanto, supostamente o governo não havia sinalizado interesse no montante.

“Esse ato de caminhada é para demonstrar à população e poderes públicos que iremos lutar pela garantia do nosso direito à educação, terra, produção, cultura, turismo. Que os deputados nos ajudem com o atual governo para que as políticas públicas voltadas ao nosso povo continuem sendo realizadas. O Banco Mundial já tinha garantido 18 milhões que seriam investidos em políticas públicas voltadas para as terras indígenas, não sabemos a ação que o atual governo teve em relação a isso, ao que parece, não demonstraram muito interesse”, disse.

O líder Ninawa Huni Kuin, presidente da Federação do Povo Huni Kuin do Acre, destacou que a mobilização também visa divulgar a 4ª Assembleia Geral da Etnia, que iniciou esta semana e se estenderá até o próximo sábado (25).

“Há 13 anos nós contribuímos direta e indiretamente com o desenvolvimento do Estado em vários aspectos. Durante toda essa semana, estamos discutindo na nossa assembleia geral a importância da nossa unificação. Viemos também pedir o apoio desta Casa para aprovação de projetos que beneficiem o povo indígena. Nós precisamos de uma atenção especial, tanto dos deputados quanto do Poder Executivo”, disse.

Ninawa enfatizou que não existe relação com o governo Gladson Cameli, mas sim conversas paralelas. “O que queremos é uma relação mais próxima com o Executivo. O governador prometeu que iria participar da nossa assembleia geral para dialogar com a gente e eu espero que isso de fato aconteça.  Nós precisamos demais de políticas públicas que atendam as comunidades indígenas do Acre”, frisou.

O presidente em exercício, Jenilson Leite, assegurou aos indígenas que os parlamentares irão intervir para garantir seus direitos e a manutenção dos festivais realizados nas aldeias acreanas. Disse ainda que nos últimos 20 anos muitas conquistas foram asseguradas pelos governos petistas, no entanto, a atual gestão, de acordo com ele, não tem demonstrado interesse na cultura nativa.

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“Esta Casa sempre estará de portas abertas a todos vocês. Nós sabemos que tudo nessa sociedade se define na política, se vai ter saúde indígena, escola na aldeia, apoio nos festivais, tudo se decide politicamente. Nos últimos 20 anos os povos indígenas foram retirados do esquecimento e tiveram um espaço privilegiado, infelizmente, isso não tem acontecido no atual governo. Meu mandato vai estar sempre aberto para falar em nome dos povos indígenas e tenho certeza que os demais parlamentares, assim como eu, irão lutar por vocês”, assegurou.

Os povos indígenas ocupam cerca de 14% do território acreano. No total, o Estado possui mais de 20 mil índios, divididos em 209 aldeias. Os municípios de Feijó, Santa Rosa do Purus, Manoel Urbano, Jordão e Tarauacá concentram 68% da população indígena do Acre.

Andressa Oliveira / Mircléia Magalhães

Agência Aleac

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